Vai passar

É. Nada é fácil nessa vida. Os últimos 6 meses da minha, menos ainda. Acho que foi o período mais conturbado desses meus 20 invernos. Uma inundação de coisas ruins e uma seca de paciência e bom humor.

Foi doença pra lá, gente chata pra cá, pressão pressão ali, pressão lá. E tudo, absolutamente tudo, de uma só vez. Não tinha como respirar.

Eu que sempre fui muito ansiosa, tive crises sérias de ansiedade. Gastrite (que nunca tive) e enxaquecas que já fazem parte da minha rotina, se tornaram ainda mais constantes. Tive momentos de insônia e momentos que tinha que tomar cuidado pra não dormir em pé. E dormir era a coisa que mais queria. Meu maior desejo era dormir e só acordar quando já estivesse tudo na mais perfeita ordem.

O pior já passou. Eu acho. Ainda tem muita coisa me tirando do sério, mas essas, infelizmente ainda terei de empurrar com a barriga por um bom tempo. É a vida.

Eu só preciso de força, foco e fé. Muita, mas muita fé de que tudo vai melhorar. Não aguento mais ficar assim.

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{Playlist} Músicas para Viajar

Eu não sou muito de ouvir podcasts, mas os lindos e cremosos do Microfonia.fm me conquistaram. Pra falar um pouco sobre, vai aqui um trechinho da descrição feita por eles mesmos.

O Microfonia nasceu como um podcast no meio de 2010, com o intuito de poder expressar de forma bem humorada, notícias de música em um site jornalístico de fórmula tradicional.
O projeto cresceu, saiu da casa antiga, de Microfonia virou Microfonia FM, se tornou um grande site de notícias de música e o melhor podcast de música do Brasil. Isso tudo, obviamente, sem deixar de lado a ironia que dá aquele toque especial aos fatos que acontecem no mundo da música.

É um podcast musical, com um tema semanal. Mas é claro que o que o torna bom são os próprios podcasters, que são sensacionais. Toda semana um episódio novo. Toda semana uma crise de risos nova.
Não tem nem como mensurar o quanto o meu conhecimento musical cresceu depois que comecei a ouvi-los.

Há duas semanas, o tema foi Músicas para Viajar e durante a edição além de contar casos, mostrar quais trilhas combinam melhor com os diferentes tipos de viagem, também apresentam dicas de como utilizar a música como isolante social, para você se livrar dos “parentes inconvenientes” que aparecem do nada durante as férias.

Nisso, euzinha, fui ouvindo o podcast e selecionando as músicas no Grooveshark: playlist criada.

Gosto mas não assumo: dançar funk.

Sim. Funk. Amo dançar funk. Eu sei que as letras não são nem um pouco poéticas, mas o ritmo é sensacional. “É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém parado.” Eu escuto a batida do funk e já fico doida pra dançar, hahaha.
Não gosto de anunciar isso aos quatro ventos, por causa do pré-conceito mesmo. Maaaas se estou em uma festa/balada e começa a tocar eu não deixo de dançar. Disso eu não tenho vergonha. Passinho sincronizado cazamigue e tudo mais, rs.

Meus amigos mais íntimos sabem desse meu gosto, mas é daquele tipo de coisa que eu nunca contaria em um primeiro encontro sabe?

E ah, pra dançar funk eu posso sim usar calcinha e roupas normais, ok? 

Como me sinto quando ouço Valesca com fones na rua.

Tag de Ideias Coletivas – Volta, Mundo Blogueiro!

Aos 20…

Eu sou: paciente.
Eu quero ser: feliz.
Na minha casa: estou bem com meus avós, minha mãe e o Luke.
Eu encano com: o meu corpo.
E acredito em: amizade.
Tenho medo de: ficar sozinha.
Acho graça em: quase tudo.
Choro com: maldade.
Não vivo sem: internet.
Tenho mania de: bagunça.
Meus três melhores amigos são: extrovertidos, sinceros e engraçados.
Eu tenho como heróis: minha mãe.
Meu sex symbol: tem barba, obviamente.
O amor é: incondicional.

Meu livro de cabeceira é: O livro vermelho dos pensamentos de Millôr.
Meu vinil preferido é: (vinil, oi? vai um show) Queen Rock Montreal.
Meu sapato favorito é: uma sapatilha brilhante com lacinho.
No meu armário não falta: cardigans e coletes.
Minha balada preferida: Velvet no dia Barbearia Rock.
Minha luta é: acordar cedo.
Meu maior fora foi: desperdiçar uma boa oportunidade, que não vem ao acaso, rs.
Minha bola dentro: a escolha do curso na faculdade.
As pessoas acham que: eu sou muito lerda.
Mas eu juro: que eu só sou calma demais.
O que eu mais ouço: “faz um favor pra mim?”.
Eu me sinto livre: quando estou com dinheiro, rs.
Rezo para: um futuro bom.
Meu ponto fraco: minha família.
Meu grande charme: boca.
No chuveiro, eu canto: Maria Rita.
De madrugada, eu: durmo e disputo espaço com o gato.
Meu meio de transporte é: ônibus.
Eu tenho ilusão de: ser bonita.
Se alguém disser que eu serei presidente: eu rirei na cara da pessoa.

Luke Skywalker

No dia 21 de Maio essa lindeza aí em cima chegou aqui em casa. É o Luke. Luke Skywalker. Escolha da minha mãe.

Minha tia que me deu, e tinha me dito que era uma gatinhA. Gritei aqui em casa Vai se chamar Princesa Leia e minha mãe Vai ser Whitney Houston. Quando ele chegou aqui e vimos que era macho, a briga pelo nome começou novamente. Não queríamos nada como Mingau, Snow, Floquinho e outros nomes, digamos, clichês. Aí eu pensei: ele é branquinho igual o… MICHAEL JACKSON! E minha mãe: Ele tem cara de Luke, Luke Skywalker. Aí eu curti e aceitei. Quando fui apresentá-lo a vovó, ela disse: mas ele é um gato lindo, igual o Gianecchini. Vou chamá-lo de Giane. 

No fim da história, todas o chamamos de Luke mesmo. E o mais fofo é que ele já está atendendo pelo nome. ❤ No primeiro dia, dormiu comigo na minha cama e foi um inferno. Ficou a noite TODA querendo brincar. No terceiro dia ele já achou um cantinho pra dormir (dentro da gaveta da minha cama) e fazendo xixi e coco na caixa de areia (antes disso estava fazendo na cama da minha mãe –‘).
Até hoje ele ainda as vezes não me deixa dormir direito e as vezes faz xixi no tapete, mas já evoluiu bastante.
Ele é super carente, adora receber carinho e ficar no colo, fica triste quando está sozinho em casa e faz festa quando alguém chega. Quase um cachorro.Não sei se pode, mas estou dando um banho por semana. Ele é muito branquinho, brinca bastante, principalmente no quintal de casa, acaba se sujando e depois vem subir na minha cama todo imundinho. Aí não dá.
Pego água quentinha do chuveiro, coloco dentro da pia do banheiro fechada e lavo com sabonete líquido de neném, rs.  Fica cheiroso que só. Mas ele detesta. Na primeira vez me arranhou todinha. Tem só que tomar cuidado pra não entrar água dentro do ouvido. E como ele não gosta de secador, eu deixo três toalhas separadas: seco em uma, enrola em outra e fico fazendo carinho e quando essa já está bem úmida o enrolo na terceira sequinha e fico fazendo carinho até ele secar. Nesse meio tempo ele dorme, é claro. Dorme demais o bichinho. Mas gato é assim mesmo.

É incrível como a gente tem um carinho assim não grande pelo animal. Tô tratando ele quase como uma criança. Alterno em chamá-lo de Luke e meu bêbe, rs. Daqui a pouco ele fica confuso.

Parabéns Bajur ♥

Dia 24 foi aniversário de uma das minhas melhores amigas, Thata ou para os mais íntimos, Bajurzão. No eu aniversário ela me escreveu uma mensagem que me fez chorar de emoção por um bom tempo. O mínimo que eu tinha que fazer era retribuir.

Fiquei pensando em algo bem emocionante pra escrever e retribuir o que me fez chorar com o que escreveu no meu aniversário. Não sou boa com isso, mas vamos lá tentar!

Primeiro dia que te conheci.. QUEM É ESSA FAVELADA QUE TÁ ARRUMANDO BARRACO POR CAUSA DE UM LUGAR NA CARTEIRA?? Foi isso. E quem diria que essa favelada se tornaria alguém tão, mas tão importante pra mim. Tudo que você me disse é verdade: quem realmente importa tá perto. Não se afasta. A gente pode ficar tempos sem se ver, mas quando reencontra é sempre do mesmo jeito! Isso sim é verdadeiro.

Bajurzão e seu ~estranho jeito de amar~. Sempre te digo: você é louca. Bem provável que seja minha amiga mais louca. E isso, só faz eu gostar mais ainda de você. Pode parecer que não, mas seu jeito de lidar com tudo é que eu admiro de mais. E você sabe do que eu tô falando. As vezes você pode ficar meio confusa, isso é fato, mas acho que como no fim, tudo dá certo, continue assim. Siga seu grande e confuso coração.

Já se passaram 5 anos desde que conheci aquela favelada. Que hoje não é tão mais favelada (mesmo que de vez em quando deixe a tona suas origens). 5 anos de amizade. 5 anos que tem tudo pra se tornar 10, 15, 20, 25 e por aí vai. Nos vejo daqui há alguns anos: coroas, sentadas na mesa de um bar, tomando suco de uva e rindo de tudo que passamos em nossa juventude. Das festas do terceiro ano, da cilada no mirante, do pós balada no topo do mundo, da viagem pra Guarapahills, das festas com muita comida na casa da Nayara, o passeio de carro com o freio de mão puxado, dos almoços com macarrão da Aline e mais um tanto de coisa que com a caduquice da idade talvez nem lembraremos mais. Mas enquanto a idade da caduquice não chega, vamos aproveitar o agora? Temos 20 anos e muita coisa a ser vivida pela frente. Eu não são tão louca quanto você, mas estou disposta a te acompanhar!

No mais, te desejo tudo aquilo que você já sabe. Toda aquele mesma coisa de sempre que todo mundo deseja em dia de aniversário e em dobro!

Te amo, muito, muito, muito! ♥

Modelo de carta, mas enviado no mural do Facebook, haha.

Uma paixão de ônibus

Desde que roubaram meu carro, há uns 30 dias, tenho feito algo que eu não fazia há muito tempo: andar de ônibus. Numa cidade como São Paulo, no verão, isso significa tomar muito sol, tomar chuva e, frequentemente, perder tempo demais no ponto de ônibus. Mas a experiência não se resume aos aspectos ruins. No lado bom, eu redescobri o ônibus, e também o metrô, como um lugar de contatos humanos. É possível conversar, rir e até se apaixonar na condução. O transporte público não é só mais ecológico, ele pode ser mais romântico também.

De zero a dez, qual a chance de conhecer uma pessoa legal indo de carro para o trabalho? Nenhuma. Ou melhor, você pode atropelar o amor da sua vida, como aconteceu na novela Dancing Days, de Gilberto Braga. Os mais velhos se lembram. Quem gosta de amor bandido tem a chance de conhecer um assaltante ou um sequestrador. Basta ele aparecer com um revólver na janela do seu carro. Há também os acidentes. Conheço uma moça cujo carro foi abalroado (alguém ainda usa esse verbo?) pelo Raí, o ex-jogador de futebol e sonho de consumo de boa parte da mulherada. Enquanto o carro estava na oficina, ela falou com o bonitão ao telefone meia dúzia de vezes. Teve a chance dela.

Compare essas migalhas estatísticas com as possibilidades quase infinitas do ônibus ou do metrô. Todos os dias, a qualquer hora, há dezenas ou centenas de caras novas no transporte público. Ok, nem todas são agradáveis. Muitas estão de péssimo humor, algumas estarão com péssimo odor, e com várias delas você, definitivamente, não quer travar contato. Mas, feita essa seleção superficial, ainda restam muitos.
Eu, mesmo sendo tímido, já conversei com muita gente desde que voltei ao transporte público. É natural. A pessoa está ao seu lado, basta fazer um comentário ou pedir uma informação. Não soa inteiramente invasivo. Na verdade, é um gesto saudável de sair de si mesmo e esticar a mão. Nós, como espécie, não fomos geneticamente projetados para andar isolados dentro de uma SUV, berrando ao celular. Somos criaturas sociais, que nos alimentamos do riso, da conversa e do convívio.

Como em toda parte, na condução há códigos de contato que têm de ser respeitados. Gente com iPod tocando tão alto que você pode escutar do outro banco não está interessada em conversar – ou é tão surda que você vai ter de usar linguagem de sinais para se fazer entender. Melhor evitar. Pessoas mergulhadas muito profundamente na leitura em geral não querem ser interrompidas. Deixe-as em paz. É aconselhável, também, respeitar o sono dos justos. Não vá você, garanhão, sacudir a gatinha que dorme ao seu lado no banco para perguntar o que ela achou da cerimônia do Oscar. Ela terá toda razão de mandá-lo para o inferno.

Para mim, que não ando de iPod e tenho náusea se insistir em ler no ônibus, a grande distração é olhar. Há gente de todas as cores, idades e aspectos no ônibus. Muita gente bonita, inclusive. A diversidade racial brasileira, que surpreende e encanta os estrangeiros, está mais presente na condução do que nos locais de classe média de São Paulo, sempre tão bregas e caipiras na sua uniformidade. Lembro de um amigo americano que dizia assim: “Vocês acham bonitas as mulheres do shopping. Eu acho bonitas as mulheres do ponto de ônibus”. Hoje eu entendo melhor o que ele queria dizer. E não é apenas uma questão de aparência. É atitude também.

Outro dia, eu estava de pé, me preparando para descer do ônibus, quando reparei, sentada num banco à minha esquerda, numa mulher linda, de traços escuros, olhos imensos, uma cabocla brasileira que poderia enfeitar qualquer tela do Paul Gauguin. Eu me distraí olhando para ela e a moça percebeu. Mas, em vez de baixar os olhos, como eu inconscientemente supus que ela faria, sustentou o meu olhar com tranquila insolência, como quem perguntasse: e agora, cavalheiro, vai fazer o quê? Diante desse gesto altivo, claro, quem ficou tímido fui eu. Baixei a cabeça e desci do ônibus com o rabo entre as pernas. Quem não quer se molhar entra na chuva para quê? Bobão.

Confesso que eu adoro isso. A falta de hierarquia no transporte público me encanta. Numa sociedade tão desigual, tão cheia de superioridades fajutas, o metrô e o ônibus igualam as pessoas. Ali são todos cidadãos, cada um com sua carinha, sua roupinha e suas angústias, que atravessam o rosto à medida que os pensamentos se processam. Basta reparar. Dentro do carro, protegidos pelo ar condicionado e pela música, podemos cultivar a ilusão de que somos diferentes de todo mundo, pessoas especiais. O ônibus desfaz esse engano. O metrô repara esse equívoco. Eles nos põem na multidão cobertos apenas pelo nosso caráter. Nos inserem quase nus na vida da cidade – com toda a complicação, todo desconforto e todas as possibilidades que isso acarreta.

Achei esse texto nos arquivos da Época e foi escrito pelo editor Ivan Martins! Achei senscacional.